Distúrbios respiratórios durante o sono comprometem a qualidade de vida e a saúde de quem as possui.
Hipopneia e apneia são condições relacionadas a dificuldades respiratórias que ocorrem enquanto dormimos. Mas qual é a diferença entre elas? Embora estes termos sejam comumente mencionados juntos, eles possuem características distintas.
O que é Apneia do Sono
A apneia do sono é caracterizada por uma interrupção completa do fluxo de ar para os pulmões durante o sono. Esses episódios de bloqueio respiratório duram de alguns segundos a mais de um minuto e ocorrem devido ao fechamento total das vias aéreas superiores.
A condição mais comum é chamada de apneia obstrutiva do sono (AOS), na qual há um colapso das paredes da garganta, o que impede a passagem de ar. Durante os episódios de apneia, o nível de oxigênio no sangue cai, o que leva o cérebro a enviar sinais de alerta ao corpo para que a respiração seja retomada.
Esses alertas interrompem o sono e, embora o paciente muitas vezes não perceba, ele desperta momentaneamente. Esse processo fragmenta o sono e afeta seu repouso, podendo resultar em sonolência diurna, dificuldade de concentração, dores de cabeça matinais e irritabilidade.
Em casos mais graves, a apneia do sono está associada a riscos aumentados de pressão alta, doenças cardíacas e outros problemas de saúde.
O que é Hipopneia do Sono
Hipopneia, por sua vez, é uma condição semelhante, porém menos intensa. Em vez de uma interrupção total do fluxo de ar, ocorre uma redução parcial do fluxo, geralmente acompanhada por uma queda na saturação de oxigênio ou de um microdespertar.
Diferente da apneia, na qual o bloqueio do ar é completo, na hipopneia o fluxo é reduzido em aproximadamente 30% a 80%, o que resulta em uma menor entrada de oxigênio no organismo.
Assim como na apneia, a hipopneia também causa fragmentação do sono, pois o corpo desperta de maneira leve para retomar uma respiração normal. Essa condição, quando frequente, afeta o ciclo de sono, causando sintomas de cansaço, sonolência e outros prejuízos para a saúde, principalmente quando não tratada.
Diferença entre Hipopneia e Apneia
A principal diferença entre apneia e hipopneia está no grau de interrupção respiratória e no impacto que cada uma exerce sobre o fluxo de ar e a saturação de oxigênio no sangue. Enquanto a primeira condição representa uma pausa total da respiração, a segunda caracteriza-se por uma diminuição parcial do fluxo de ar.
Isso significa que, na apneia, o bloqueio é absoluto, enquanto na hipopneia ainda há passagem de ar, mas em quantidade insuficiente para manter os níveis normais de oxigênio.
Outro ponto que diferencia as duas condições é a gravidade dos sintomas e o risco de complicações. Em geral, a apneia do sono tem um impacto mais pronunciado sobre a saúde cardiovascular, pois a interrupção total do ar provoca uma queda mais acentuada nos níveis de oxigênio, o que aumenta a pressão sobre o sistema cardiovascular.
No entanto, a hipopneia também requer atenção e tratamento, especialmente em casos nos quais ocorre com frequência, pois pode contribuir para o cansaço diurno e outros efeitos adversos.
Apesar das diferenças, ambos os distúrbios muitas vezes coexistem no mesmo paciente e são avaliados conjuntamente nos exames de sono.
O índice apneia-hipopneia (IAH) é uma métrica usada para medir a quantidade de episódios de apneia e hipopneia ao longo da noite, ajudando a identificar a gravidade do distúrbio respiratório do sono e a necessidade de tratamento.
Como Identificar Esses Distúrbios
Para identificar apneia e hipopneia, é necessário realizar exames, com destaque para a polissonografia. Este exame de sono monitora diversas funções corporais, como respiração, frequência cardíaca, atividade cerebral, movimento dos olhos e níveis de oxigênio. Ele pode ser realizado em clínicas do sono ou, em alguns casos, no próprio domicílio, com um equipamento portátil.
Durante o exame, os sensores registram o número de interrupções totais (apneias) e parciais (hipopneias) na respiração. Esse monitoramento calcula o índice apneia-hipopneia (IAH), que permite classificar a gravidade do distúrbio em leve, moderado ou grave.
Além da polissonografia, questionários e consultas clínicas também servem para entender os sintomas e o impacto dos distúrbios respiratórios no dia a dia do paciente.
Tratamento
Para casos leves, mudanças no estilo de vida podem ajudar a reduzir os sintomas. Estas incluem a perda de peso, a prática de exercícios físicos e a adoção de posições adequadas para dormir. Evitar o consumo de álcool e medicamentos que relaxam a musculatura da garganta também contribuem para a melhoria dos sintomas.
Nos casos moderados a graves, é indicado o uso de dispositivos de pressão positiva contínua nas vias aéreas – CPAP. Este mantém as vias aéreas abertas por meio de um fluxo constante de ar, reduzindo ou eliminando episódios de apneia e hipopneia.
Para aqueles que não se adaptam ao CPAP ou que apresentam apneia obstrutiva em situações específicas, dispositivos intraorais também podem ser indicados. Esses aparelhos reposicionam a mandíbula e a língua, permitindo uma maior abertura das vias aéreas durante o sono.
Em alguns casos, a cirurgia para remover obstruções ou corrigir anormalidades estruturais das vias respiratórias também pode ser considerada, especialmente quando outros métodos não produzem resultados satisfatórios.
Se você ou alguém que conheça apresenta sintomas de apneia ou hipopneia, entre em contato com a Clínica Pneumosono. Nossa equipe está pronta para oferecer o suporte necessário para uma avaliação completa.