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Ronco na menopausa: por que esse sintoma pode aparecer ou piorar?

O ronco na menopausa pode estar ligado a mudanças hormonais, alterações no padrão de sono, ganho de peso, maior relaxamento da musculatura da garganta ou aumento do risco de apneia obstrutiva do sono. Este, por si só, é um sinal de que a respiração está sendo parcialmente bloqueada durante o descanso noturno.

Por isso, quando o sintoma passa a ser frequente, intenso ou vem acompanhado de cansaço ao acordar, despertares, dor de cabeça pela manhã ou sonolência durante o dia, procure uma avaliação especializada para entender o que está acontecendo durante a noite.

Por que a mulher pode roncar mais na menopausa?

Na menopausa, ocorre uma queda progressiva de hormônios como estrogênio e progesterona. Estes participam de várias funções do organismo, inclusive de mecanismos ligados ao sono, à respiração e ao tônus muscular. Quando falamos neste último, estamos falando da capacidade dos músculos de manterem certa firmeza mesmo em repouso. 

Durante o sono, os músculos da garganta naturalmente relaxam. Se esse relaxamento for maior ou se a passagem do ar estiver mais estreita, o ar passa com turbulência e faz os tecidos vibrarem. Essa vibração é o ronco.

Pesquisas com mulheres de meia-idade mostram associação entre níveis mais baixos de estrogênio e progesterona e maior chance de ronco e sintomas de apneia obstrutiva do sono.

Ou seja, a mudança hormonal pode deixar a via aérea mais vulnerável durante o sono. O ronco, nesse contexto, não aparece por acaso, ele reflete uma nova dinâmica respiratória do corpo.

O ganho de peso também pode influenciar

A menopausa pode vir acompanhada de mudanças no metabolismo. Algumas mulheres percebem maior facilidade para ganhar peso, especialmente na região abdominal e, em alguns casos, também na região do pescoço.

Quando há acúmulo de tecido ao redor da via aérea superior, a passagem do ar pode ficar mais estreita. À noite, com o relaxamento natural da musculatura, essa região tende a vibrar com mais facilidade. O resultado pode ser um ronco mais frequente, mais alto ou mais perceptível para quem dorme ao lado.

O Dr. Fábio Maraschin, porém, adverte que as mulheres magras também podem ter ronco e apneia do sono, principalmente se houver fatores anatômicos, alterações hormonais, histórico familiar, congestão nasal ou uso de álcool e sedativos.

Ronco e apneia do sono: qual é a relação?

O ronco pode ser um dos sinais mais importantes de que a respiração está sofrendo bloqueios durante a noite. A apneia obstrutiva do sono acontece quando a passagem de ar fica reduzida ou interrompida repetidas vezes enquanto a pessoa dorme. Essas pausas podem causar queda de oxigenação, microdespertares e sono fragmentado.

Muitas vezes, a mulher não percebe que acordou várias vezes. Ela apenas sente as consequências no dia seguinte: 

  • cansaço;
  • sonolência;
  • irritabilidade;
  • dor de cabeça pela manhã;
  • dificuldade de concentração;
  • sensação de sono não reparador.

O ronco alto pode indicar um problema potencialmente sério, embora nem toda pessoa com apneia ronque. 

A Mayo Clinic orienta procurar avaliação quando há ronco importante ou sintomas de apneia que deixam a pessoa muito cansada, sonolenta ou irritada.

Mulheres podem ter sintomas diferentes dos homens

A apneia do sono ainda é muito associada ao homem que ronca alto, tem pausas respiratórias evidentes e sonolência intensa durante o dia. Esse estereótipo atrasa o diagnóstico em muitas mulheres.

Nas mulheres, os sintomas podem ser mais sutis ou confundidos com estresse, ansiedade, envelhecimento, insônia ou sintomas da própria menopausa. 

Em vez de sonolência evidente, algumas relatam:

  • fadiga constante;
  • sono leve;
  • despertares frequentes;
  • queda de rendimento;
  • alterações de humor;
  • dor de cabeça matinal.

O NHLBI, instituto norte-americano ligado ao National Institutes of Health, destaca que a apneia do sono em mulheres pode ser subestimada e pouco tratada, justamente porque os sinais nem sempre aparecem da mesma forma que nos homens.

Ou seja, uma mulher pode ter apneia do sono mesmo sem se reconhecer no perfil clássico da doença.

Ondas de calor, insônia e despertares podem confundir o quadro.

A menopausa também pode afetar o sono por outros caminhos. Ondas de calor, suor noturno, ansiedade, mudanças de humor e maior dificuldade para manter o sono são queixas comuns nessa fase.

O problema é que esses sintomas podem mascarar a apneia do sono. A mulher acorda várias vezes à noite e atribui tudo aos fogachos ou à insônia, sem perceber que a respiração também pode estar sendo interrompida.

Além disso, quando o sono já está fragmentado, fica mais difícil perceber qual é a causa principal do cansaço. A pessoa pode dormir por sete ou oito horas e ainda acordar sem disposição.

Quando o ronco na menopausa merece avaliação?

O ronco merece mais atenção quando:

  • houver ronco frequente, alto, progressivo;
  • alguém observar pausas na respiração durante o sono;
  • houver engasgos, sufocamento noturno e despertares com sensação de falta de ar;
  • acordar cansada;
  • tiver dor de cabeça pela manhã;
  • sentir boca seca ao despertar;
  • apresentar sonolência, irritabilidade, dificuldade de memória ou queda de concentração.

Também é importante observar a pressão arterial. A apneia do sono não tratada pode se relacionar a maior risco cardiovascular, especialmente quando há queda de oxigenação durante a noite.

A Sleep Foundation destaca que o ronco pode ser sintoma de apneia do sono, condição em que a respiração fica superficial ou para por pequenos períodos, prejudicando a qualidade do sono e podendo contribuir para problemas de saúde ao longo do tempo.

Como é feita a investigação?

A avaliação começa pela escuta clínica. O profissional de saúde investiga quando o ronco começou, se piorou após a menopausa, se há despertares, pausas respiratórias, sonolência diurna, insônia, uso de medicamentos, consumo de álcool, congestão nasal e histórico de ganho de peso.

Em muitos casos, o exame indicado para investigar apneia do sono é a polissonografia. Esse exame registra informações durante o sono, como respiração, oxigenação, frequência cardíaca, movimentos e fases do sono.

Dependendo do caso, a avaliação também envolve exames domiciliares do sono, análise da via aérea, investigação de rinite, obstrução nasal ou outras condições que dificultam a passagem do ar.

Ronco na menopausa tem tratamento

O ronco que surge ou piora na menopausa é um sintoma comum, multifatorial e, muitas vezes, tratável.

Quando o sono melhora, a paciente tende a perceber impacto na disposição, na clareza mental, no humor e na qualidade de vida. Investigar o ronco é, na prática, investigar como o corpo está respirando enquanto deveria se recuperar.

Se você percebeu ronco frequente, piora do sono, despertares noturnos ou cansaço ao acordar, entre em contato com a Pneumosono. Uma avaliação especializada pode identificar a causa do problema e orientar o tratamento mais adequado para você dormir e respirar melhor na menopausa.

Clínica Pneumosono

Médico do Sono Fábio Maraschin

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Porto Alegre / RS