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Insônia pós-COVID: o que mudou no sono de quem teve a doença?

A COVID-19 deixou marcas que vão além dos pulmões. Meses após a infecção, muitas pessoas continuam relatando dificuldade para dormir, sono fragmentado, pesadelos frequentes e sensação de cansaço mesmo após noites completas. Esse conjunto de alterações ganhou atenção crescente na medicina do sono dentro do que ficou conhecido como COVID longa.

Estudos publicados nos anos seguintes à pandemia confirmaram o que clínicos já observavam no consultório: a COVID-19 afeta o sono de formas distintas e, para uma parcela significativa dos pacientes, esse impacto persiste por meses.

Por que a COVID-19 altera o sono?

O SARS-CoV-2 tem afinidade comprovada pelo sistema nervoso central. A inflamação neurológica causada pelo vírus afeta estruturas responsáveis pela regulação do sono, incluindo regiões do tronco cerebral ligadas ao ciclo circadiano e à produção de melatonina.

A disfunção do sistema nervoso autônomo, comum na COVID longa, é outro fator relevante. Quando esse sistema passa a funcionar de forma instável, o organismo perde eficiência na transição entre os estágios do sono e na regulação da respiração noturna.

O impacto psicológico da doença e do período pandêmico também contribui. Ansiedade, sintomas semelhantes ao estresse pós-traumático e o medo de adoecer novamente alimentam o ciclo da insônia e dificultam a recuperação do padrão de sono.

O que os estudos mostram?

Uma metanálise publicada no periódico Sleep Medicine Reviews analisou dados de dezenas de estudos globais e identificou que cerca de 40% dos sobreviventes da COVID-19 relataram problemas de sono nos meses seguintes à infecção. 

O número foi ainda maior entre pacientes hospitalizados. Entretanto, um dado que chama atenção: os distúrbios do sono aparecem tanto em pessoas que tiveram a doença de forma grave quanto em quem passou pela infecção com sintomas leves. 

A gravidade da fase aguda tem influência, mas outros fatores, como a resposta inflamatória individual, também determinam as sequelas.

Pesquisas realizadas no Brasil identificaram aumento expressivo de casos de insônia relatados em serviços de medicina do sono durante e após a pandemia, com perfil distinto dos casos pré-COVID.

Que tipo de alteração aparece com mais frequência?

As queixas de sono após a COVID variam de pessoa para pessoa, mas alguns padrões se repetem nos estudos e nos consultórios:

  • dificuldade para iniciar o sono, mesmo com cansaço evidente;
  • despertares frequentes ao longo da noite;
  • sonhos muito vívidos ou pesadelos recorrentes;
  • sensação de sono superficial, sem descanso real ao acordar;
  • sonolência excessiva durante o dia sem melhora com o repouso;
  • alteração no horário natural de adormecer e acordar.

Em alguns pacientes, a COVID também está associada ao surgimento ou agravamento da apneia do sono, pela combinação de inflamação das vias aéreas e alterações no controle neurológico da respiração durante o sono.

O papel do sistema nervoso autônomo

A disfunção autonômica é um dos mecanismos mais documentados na COVID longa. O sistema nervoso autônomo regula funções que acontecem sem controle consciente, como frequência cardíaca, pressão arterial e respiração, e quando opera de forma instável, o sono fragmenta.

Durante o sono, esse sistema tem papel central na transição entre os estágios e na qualidade do descanso profundo. 

A instabilidade autonômica interfere diretamente na recuperação física e cognitiva noturna, o que explica por que muitos pacientes acordam cansados mesmo após horas suficientes na cama.

Esse mecanismo também contribui para a fadiga crônica característica da COVID longa, criando um ciclo em que o sono ruim piora o cansaço diurno e o cansaço excessivo dificulta ainda mais o sono da noite seguinte.

Quando os sintomas pedem avaliação médica

Dificuldades pontuais de sono após uma doença são comuns e tendem a se resolver com o tempo. 

O sinal de alerta aparece quando os problemas persistem por mais de três semanas, quando a qualidade de vida começa a ser afetada de forma consistente ou quando surgem sintomas associados.

Falta de ar noturna, engasgos ao dormir, ronco alto que surgiu após a infecção e sonolência intensa durante o dia são queixas que pedem avaliação com especialista. Nesses casos, pode haver um distúrbio do sono específico que exige diagnóstico e tratamento direcionado.

Como o tratamento é conduzido?

O tratamento da insônia pós-COVID parte do diagnóstico preciso. A polissonografia permite mapear o que acontece durante o sono, identificar se há apneia associada, fragmentação dos estágios ou outras alterações que explicam as queixas do paciente.

A partir desse mapeamento, as abordagens variam:

  • terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), considerada o tratamento de primeira linha pela medicina do sono;
  • higiene do sono com ajustes no ambiente, nos horários e nos comportamentos que afetam a qualidade do descanso;
  • tratamento da apneia com CPAP, quando identificada como parte do quadro;
  • acompanhamento das alterações autonômicas em conjunto com outras especialidades, quando necessário.

A resposta ao tratamento tende a ser gradual. O acompanhamento médico ao longo do processo permite ajustes e garante que as causas específicas de cada caso sejam endereçadas.

Agende sua consulta na Pneumosono

Se você teve COVID-19 e desde então dorme mal, acorda cansado ou percebe que o seu padrão de sono mudou, uma avaliação com especialista pode identificar o que está acontecendo e traçar o caminho de tratamento adequado.

O Dr. Fábio Maraschin, especialista em medicina do sono da Pneumosono, realiza uma avaliação completa e indica a abordagem mais indicada para o seu caso.

Entre em contato com a Pneumosono e agende sua consulta. O sono que a COVID alterou tem tratamento.

Actigrafia – página de exame

A actigrafia é um exame que registra os ciclos de sono e vigília ao longo de vários dias, dentro da sua própria rotina. Em vez de uma única noite monitorada na clínica, ela acompanha como você dorme em casa, no trabalho e nos fins de semana — oferecendo um retrato real do seu descanso ao longo do tempo.

Na Pneumosono, a actigrafia é usada para investigar distúrbios do sono que dependem de observação prolongada, complementando a polissonografia quando o quadro exige um olhar mais amplo sobre os hábitos do paciente.

O que é a actigrafia

A actigrafia é um método de avaliação do sono feito por meio de um aparelho pequeno chamado actígrafo, parecido com um relógio de pulso. O dispositivo contém um sensor de movimento que registra a atividade do corpo minuto a minuto, durante o período recomendado pelo médico, geralmente de 7 a 14 dias.

A partir desses dados, o software calcula quanto tempo a pessoa dormiu, quantas vezes acordou, em que horários adormeceu e despertou e qual a regularidade do seu ritmo de sono. É um exame não invasivo, indolor e que não interfere na rotina.

Para que serve o exame de actigrafia

A actigrafia ajuda o médico do sono a entender padrões que uma única noite de exame não revela. Entre as principais indicações estão:

  • Insônia. Para medir o tempo real de sono e identificar o padrão das noites mal dormidas
  • Distúrbios do ritmo circadiano, como atraso ou avanço da fase do sono
  • Avaliação de sonolência excessiva durante o dia
  • Acompanhamento de tratamentos, para verificar a resposta a mudanças de hábito ou medicação
  • Casos em que a polissonografia isolada não explica os sintomas

Por acompanhar o sono em ambiente natural, o exame mostra a diferença entre dias de semana e fins de semana e expõe a irregularidade de horários, que é um dos fatores que mais prejudicam a qualidade do descanso.

Como funciona o exame na prática

O paciente recebe o actígrafo e instruções de uso. O aparelho é mantido no pulso dia e noite durante todo o período, sendo retirado apenas em situações específicas orientadas pela equipe. Junto com o dispositivo, costuma-se preencher um diário do sono, anotando horários de deitar, levantar e cochilos.

Ao fim do período, o aparelho é devolvido à clínica, os dados são processados e o médico interpreta os resultados junto ao histórico do paciente.

Actigrafia ou polissonografia?

São exames diferentes e, em muitos casos, complementares. A polissonografia mede em detalhe uma noite de sono, com sensores de respiração, oxigenação e atividade cerebral. A actigrafia observa o comportamento do sono por vários dias, mas com menos detalhamento fisiológico. O médico do sono define qual exame (ou a combinação dos dois) responde melhor à sua queixa.

Agende sua avaliação na Pneumosono

Se você convive com insônia, horários de sono desregulados ou cansaço persistente, a actigrafia pode ser o exame indicado para entender o que está acontecendo. Entre em contato com a Pneumosono e agende uma avaliação com nossa equipe especializada em medicina do sono.

Clínica Pneumosono

Médico do Sono Fábio Maraschin

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