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Dia Mundial do Sono: 70% dos brasileiros dormem mal

No Dia Mundial do Sono, o Dr. Fábio Maraschin participou de uma entrevista na Master TV para falar sobre um tema que impacta diretamente a saúde, a disposição e a qualidade de vida da população: a importância de dormir bem.

Durante a conversa, foram abordados pontos fundamentais sobre a relação entre sono, metabolismo, ansiedade, emagrecimento, ronco, apneia e saúde cardiovascular, além de orientações práticas para melhorar a rotina e reconhecer sinais de alerta que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.

A entrevista foi uma oportunidade para reforçar uma mensagem essencial: dormir mal não é normal. Acordar cansado, ter sono não reparador, roncar com frequência ou sentir sonolência excessiva ao longo do dia são sinais que merecem atenção e avaliação especializada.

A seguir, você confere a transcrição da participação do Dr. Fábio Maraschin na Master TV em alusão ao Dia Mundial do Sono.

Dia Mundial do Sono

Entrevistador Cláudio Andrade:
Obrigado pela participação.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Boa tarde, Dr. Fábio. É um prazer estar aqui falando sobre esse assunto muito importante para a população, que é dormir bem. É verdade, né? E como eu lhe falava ali, falava pro pessoal, a questão do sono até para emagrecer. Se fala muito nas canetas, na polêmica dos remédios mágicos para emagrecer. E aí o pessoal, por exemplo, mais tradicional, vai para a academia e também procura uma boa alimentação, uma alimentação saudável. Mas, se não tiver uma noite de sono adequada e um controle do estresse, vai tudo por água abaixo e o sujeito já não consegue.

Dr. Fábio Maraschin:
Com certeza. Ontem mesmo um paciente me procurou dizendo que já usou vários tipos de caneta sem resultados e ele dorme mal. Então nós temos que avaliar essa parte do sono. E por que isso acontece? Porque o metabolismo é muito regulado durante o sono, principalmente em relação à perda de peso. Nós temos dois hormônios importantes, que são a grelina e a leptina, controlados durante o sono. A leptina é o hormônio da saciedade e ela é liberada durante o sono profundo, que é o sono três. Se a pessoa não está dormindo bem e não está fazendo esse sono profundo por vários motivos, a leptina baixa. Com isso, a grelina, que é o hormônio produzido no estômago, acaba aumentando. Então, às vezes, a pessoa nem está se alimentando tão mal assim, mas não consegue perder peso porque existe esse desequilíbrio hormonal.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Tá explicado, então. Tá explicado o que acontece. Uma noite mal dormida não é tão inocente assim, né, doutor? Não é algo sem importância. E a questão é que, muitas vezes, a pessoa até consegue dormir, mas dorme mal. O próprio paciente, muitas vezes, não sabe que isso está acontecendo. Acorda com aquela sensação de que tomou uma surra durante a noite. E, na verdade, tem questões físicas acontecendo que o sujeito, muitas vezes, só percebe se for casado, né? Às vezes a esposa, o marido, o companheiro acabam falando. Porque, se não, a pessoa ronca e acha que o ronco é uma coisa trivial.

Dr. Fábio Maraschin:
Mas nós temos que ver sempre o ronco como um sinal de alerta, Cláudio. Ele pode indicar que o ar não está entrando de uma forma adequada para dentro do pulmão, o que pode significar apneias. Se a pessoa tem apneias, entra menos oxigênio. Isso faz com que o sono fique fragmentado, porque o cérebro precisa acordar para abrir a via aérea que fechou. Essa fragmentação, muitas vezes não percebida pelo paciente, faz com que ele acorde com uma sensação de sono não reparador e tenha sonolência ao longo do dia, o que vai prejudicar a vida dele. Se estiver sonolento e for dirigir, por exemplo, pode causar acidentes. Vai trabalhar, pode render menos. Vai estudar, pode ter dificuldade. Vai ter esse problema de não conseguir perder peso, e o aumento de peso aumenta o risco de ronco e apneia. Então, quando a pessoa tem essa sensação de sono não reparador logo ao acordar, precisa fazer uma boa avaliação.

Entrevistador Cláudio Andrade:
E, Dr. Fábio, o Brasil também tem a questão da ansiedade, né? O brasileiro é um dos povos mais ansiosos do mundo. Isso também acaba afetando a insônia?

Dr. Fábio Maraschin:
Com certeza, Cláudio. A ansiedade e a insônia formam uma via de mão dupla. A pessoa ansiosa vai ter dificuldade para dormir e, se não dorme bem, vai acabar tendo ainda mais ansiedade. É só a gente fazer uma brincadeira aqui: vamos ficar uma semana, cada um na sua casa, dormindo só quatro horas por noite. Como é que vai estar o nosso humor daqui a uma semana? Nós vamos estar felizes e alegres? Não. Vamos estar ansiosos, irritados e talvez até deprimidos, mostrando a importância de dormir bem. E não é só quantidade. Dormir bem é ter ritmo. Nosso corpo gosta de ritmo. Horário para dormir e para acordar todos os dias no mesmo horário, além de uma boa qualidade do sono. Essa qualidade a gente pode avaliar durante um exame chamado polissonografia.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Pois é, polissonografia. Achei interessante essa questão do sono. É impressionante como as pessoas não se dão conta de que podem estar com esse cansaço físico e não sabem por quê. Como funciona esse exame, doutor? Que exame é esse? Como é realizar isso?

Dr. Fábio Maraschin:
É um exame não invasivo em que são colocados eletrodos pelo corpo, que captam sinais fisiológicos. Nós vamos ver se o paciente está dormindo, se está acordado, qual é o estágio do sono, porque temos sono superficial, intermediário e profundo, que fazem parte do sono não REM, além do sono REM. Todos eles são importantes ao longo da noite. Também avaliamos se está roncando, se tem apneias, se tem algum problema como arritmia cardíaca noturna, se tem bruxismo, se está se chutando, se está se mexendo. Então é uma avaliação completa, que geralmente é feita no laboratório do sono, mas em alguns casos também pode ser feita na residência do paciente.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Olha só, eu tava pensando aqui agora. O doutor falou em ficar dormindo quatro horas por noite durante uma semana para ver o que acontece. A gente vê, por exemplo, em casos de desastres, pessoas que ficam uma semana às vezes sem comer direito, bebendo pouca água, água da chuva, enfim. Agora, ninguém fica uma semana sem dormir, né?

Dr. Fábio Maraschin:
Até sem alimento a pessoa consegue suportar um pouco mais. Agora, sem dormir, não. E, infelizmente, a população está privada de sono não só por causa da ansiedade, mas também por esse mundo louco em que a gente vive. É uma rotina de sete dias por semana, 24 horas por dia, com exposição à luz, às telas, trabalho e diversos compromissos. Isso está diminuindo cada vez mais a quantidade de sono. Nem estamos falando ainda da qualidade, apenas da quantidade. E essa privação de sono, só o fato de dormir menos de seis horas por noite, já leva a um aumento do risco de doenças como diabetes mellitus e doenças cardiovasculares.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Diabetes tem a ver com sono, doutor?

Dr. Fábio Maraschin:
Tem. E, além disso, também aumenta o risco de pressão alta, AVC, arritmia, infarto e outras doenças cardiovasculares.

Entrevistador Cláudio Andrade:
E o pessoal acha que dormir pouco é motivo de orgulho. Tem gente que se gaba disso. E muitas vezes são pessoas jovens. Isso vai acumulando, né?

Dr. Fábio Maraschin:
Vai. Uma hora a fatura chega.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Pois então, gente, não é brincadeira. O doutor falou da questão das telas, dos celulares. Eu tava comentando antes sobre a síndrome da perna inquieta e também sobre o meu próprio tempo para dormir. Se eu me enrolo muito, já começo a sentir aquele desconforto. E o doutor falava, por exemplo, daquela olhadinha no celular antes de dormir. Eu tenho um irmão que não gosta de televisão no quarto. Hoje em dia todo mundo tem uma TV no quarto, mas o ideal é nem ter. Eu já ouvi colegas dizendo o seguinte: quarto e cama são para dormir.

Dr. Fábio Maraschin:
Exatamente. Não é para comer, não é para ver televisão. A luz é tão importante para regular o nosso sono, Cláudio, que nós temos no fundo do olho, na retina, um receptor específico para captar luz azul.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Por ele é gremista, não é?

Dr. Fábio Maraschin:
Porque a luz azul é o principal comprimento de onda da claridade do nosso dia. E esse receptor informa ao cérebro se está claro ou escuro. Basicamente é isso. Estando claro, o corpo não vai liberar o hormônio indutor do sono, que é a melatonina. Estando escuro, libera. Então, ficar nas telas antes de dormir vai inibir a liberação dessa melatonina. E os estudos mostram que isso pode atrasar em até duas horas o início do sono. Ou seja, estamos atrasando o início do sono e favorecendo a privação do sono, que é um grande problema. Então, nós temos que desligar as telas no mínimo uma hora antes de dormir. Nesse período, é melhor ler um livro, escutar uma música, escrever pensamentos, fazer coisas relaxantes e baixar a intensidade da luz.

Dr. Fábio Maraschin:
E também precisamos ter exposição à luz pela manhã para regular o sono. Ela desperta o organismo. Então, evitar óculos escuros de manhã, por exemplo, pode ser importante. Hoje em dia vemos pessoas privadas de sono, cansadas, que não querem nem ver luz. Aí colocam tudo no escuro e isso vira um círculo vicioso. Então, é preciso ter exposição à luz pela manhã. E, se associarmos a isso exercício físico por 20 a 30 minutos e uma boa hidratação, além de regular o sono relacionado à melatonina, também vamos regular a liberação do cortisol, que é o hormônio que nos acorda de manhã.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Olha só. Então, se expõe à luz de manhã, evita a luz de noite, se hidrata bem pela manhã e faz exercício físico matinal. Pensando bem, não é pedir muito para o ser humano, pelo tanto de benefício que ele vai ter em troca. E a questão do horário regular também é importante, né? Tem gente que no fim de semana acorda meio-dia e, durante a semana, acorda às seis ou sete da manhã. Isso também bagunça tudo, né?

Dr. Fábio Maraschin:
Isso depende, Cláudio. Porque o que acontece? A pessoa fica privada de sono ao longo da semana.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Ah, entendi.

Dr. Fábio Maraschin:
Ela até pode tentar compensar no fim de semana.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Entendi.

Dr. Fábio Maraschin:
Só que tem que ficar claro que o juro é muito alto. Não vai conseguir pagar esses juros.

Entrevistador Cláudio Andrade:
É, essa conta não é tão simples assim.

Dr. Fábio Maraschin:
Não é. Mas, se eu tiver que dizer, é melhor compensar no fim de semana do que continuar privado de sono também no fim de semana.

Entrevistador Cláudio Andrade:
É isso. Eu já ouvi há bastante tempo que sono não se desconta. Como o doutor falou, se não tiver outra alternativa, tudo bem, descanse no fim de semana, mas não é uma conta simples. Não adianta dormir pouco durante a semana e achar que daqui a dez dias vai dormir o dia inteiro e tudo estará resolvido. Não paga dívida, né?

Dr. Fábio Maraschin:
Não paga. E o corpo gosta de ritmo. O ideal é ter ritmo todos os dias. E a questão de desacelerar também é importante. Isso que você falou, de já começar a se preparar para dormir, é fundamental.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Isso é interessante também, né?

Dr. Fábio Maraschin:
É fundamental, ainda mais no mundo em que vivemos hoje. E, nesse processo de aceleração, temos que pensar também no excesso de cafeína ao longo do dia.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Pois é. E não é só café, né?

Dr. Fábio Maraschin:
Não. Café, chá, energético, chimarrão, refrigerantes. Tudo isso contém cafeína e acelera o organismo. Para quem não tem muitos problemas para dormir, o limite é por volta das 18 horas. Quem já está tendo dificuldade para dormir, o ideal é eliminar as cafeínas antes ainda, por volta das 14 ou 15 horas.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Dr. Fábio, uma questão que a gente não pode deixar de comentar é que o brasileiro também é muito dado à automedicação. E aí, nessa busca por dormir, muita gente usa remédios. Inclusive eu confesso que já pedi, já me deram e depois me negaram, porque o ideal não é ter remédio para dormir. Esses dias eu estava lembrando a história do Michael Jackson, de tomar remédio para dormir e remédio para acordar. Em algum momento isso se bagunçou. É terrível. Mas o pessoal gosta de tomar um remedinho. Tem remédios que derrubam mesmo, mas me parece que isso é para situações específicas, né?

Dr. Fábio Maraschin:
Medicação é o último estágio. Às vezes pode ser usada no início, bem orientada, para tentar organizar a rotina do paciente, dentro de um plano de tratamento. Mas não adianta tomar medicação se não tiver uma boa higiene do sono, ou seja, horário regular para dormir e acordar, exposição solar pela manhã, exercício físico regular, redução da cafeína ao longo do dia e evitar luz à noite. Se não houver isso, a medicação vai apenas forçar. Várias medicações causam problemas de memória, dependência química e podem piorar muito o quadro. Em quem ronca e tem apneia, às vezes é quase como jogar contra a própria saúde. A pessoa tem apneia, toma um remédio para dormir, apaga, mas o cérebro precisa acordar para respirar. Se ela está em apneia e apagada por remédio, isso é muito perigoso. Então, tem que haver muito cuidado no uso da medicação.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Para concluir, Além dos Sonhos: uma jornada para dormir melhor. Esse é o seu livro, doutor?

Dr. Fábio Maraschin:
É esse mesmo.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Olha aqui, tá aqui. Eu confesso que, depois da vida adulta, comecei a ter dificuldade para dormir. Casei, me divorciei, casei de novo, tive filhos, e comecei a ter mais dificuldade.

Dr. Fábio Maraschin:
Espero que o livro ajude, Cláudio. E eu não vou ficar chateado, diferente de outros autores, se o senhor começar a ler e pegar no sono.

Entrevistador Cláudio Andrade:
É, a ideia é essa.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Mas é verdade, gente. É uma coisa tão trivial e, ao mesmo tempo, tão importante. As pessoas ainda não se deram conta desse cuidado. Fazer o exame também, né? O pessoal faz exame para coração, faz exame para diabetes, e o sono pode estar causando ou agravando todos esses problemas. E existe exame para isso. Então, doutor, só para a gente concluir: se a pessoa está dormindo mal, deve fazer uma avaliação, procurar atendimento médico, de preferência com especialista em medicina do sono. Os clientes da Unimed podem procurar isso no próprio site da Unimed, né? E, se for necessário, tem um exame objetivo, que é a polissonografia, que avalia a qualidade do sono. Ou seja, acordar cansado não é normal, né?

Dr. Fábio Maraschin:
Não é normal. A pessoa tem que acordar disposta. Como é que eu sei que estou dormindo bem? Eu pego no sono entre 10 e 30 minutos, meu sono é contínuo, com no máximo uma interrupção breve ao longo da noite, eu acordo espontaneamente com sensação de sono reparador e não tenho cansaço nem sonolência ao longo do dia. Se a gente perguntar para todo mundo quantos se sentem assim, provavelmente poucos vão levantar a mão. E isso mostra que, muitas vezes, alguma coisa não está certa.

Entrevistador Cláudio Andrade:
É, fora isso, alguma coisa não está certa.

Entrevistador Cláudio Andrade:
Obrigado, Dr. Fábio. Parabéns pelo trabalho. E vamos conversando, porque eu sei que a medicina não para e os avanços também não. Eu vou devorar esse livro.

Dr. Fábio Maraschin:
Obrigado pelo convite. Obrigado.

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