Pesquisas mostram que má qualidade de sono pode levar a risco maior de cardiopatias

A questão da qualidade do sono ganhou relevo devido à pandemia de covid-19. Afinal, o medo de contrair uma doença potencialmente fatal, apesar de já existirem vacinas, afetou a todos em alguma medida - – e isso influenciou o número de horas que dormimos e mesmo a qualidade do sono. Mas há muitos outros fatores que podem comprometer a boa noite de sono que todos esperamos ter. E dormir pouco – ou pior: dormir mal – causa problemas de saúde.

 

Pesquisa recente da Mayo Clinic, nos Estados Unidos (publicada no Journal of the American College of Cardiology), mostrou que a falta de sono adequado por causar acúmulo de gorduras abdominal e visceral -  e esta última está ligada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas. 

 

Segundo a pesquisa, a falta de sono adequado leva a um aumento de 9% na área total da gordura abdominal; no caso da gordura visceral, o aumento é de 11%. O estudo aponta, entre as causas que levam a menos horas de sono, turnos de trabalho cada vez mais extensos e distribuídos em horários irregulares; o uso cada vez mais frequente de aparelhos eletrônicos – como tablets e celulares; e a prática de se usar redes sociais por períodos mais longos – frequentemente tomando horários em que o costume era já estar dormindo. O estudo observou 12 pessoas por dois períodos de 21 dias. 

 

Menos horas dormidas comprometem nossa capacidade de concentração. O trabalho, o estudo, as diversas atividades cotidianas e até a recuperação da memória ficam todos prejudicados. Mais tempo desperto, sem um repouso adequado, também resulta em menos disposição física – ficamos expostos então ao risco de mais sedentarismo.  E mais tempo para ingestão de alimentos, não raro guloseimas pouco ou nada saudáveis. Sedentarismo e alimentação inadequada são uma combinação bastante propícia para elevar o risco de obesidade e mesmo de desenvolvimento de diabetes. 

 

Um artigo publicado no PebMed, em agosto de 2021, trazia o resultado de uma pesquisa do Instituto do Sono: cerca de 70% das 1.600 pessoas entrevistadas em 24 Estados brasileiros disse enfrentar dificuldades para dormir. As causas envolvem não só fatores semelhantes aos da Mayo Clinic como apontou as preocupações trazidas pela Covid-19 – medo do contágio, de se ficar com sequelas da doença, e mesmo outras, como medo do desemprego. 

 

Já são senso comum as ideias de que atividade física e alimentação saudável são positivas para a saúde e a todo momento há recomendações, das fontes mais diversas, desde os médicos até os familiares –, para que observemos essas duas práticas. A recomendação para que se tenha uma boa noite de sono, no entanto, ou é menos frequente, ou não se dá no registro da recomendação de saúde. Mas dormir bem não é menos importante: o perfeito funcionamento cerebral depende de um período de repouso.  

 

Artigo publicado na revista “The Lancet Nurology” em 2019 aponta estudos que sugerem que distúrbios do sono podem contribuir para o declínio cognitivo e elevar o risco de doença de Alzheimer. Também pode ter efeitos negativos para pessoas que sofram, por exemplo, de depressão.

 

 Ainda que os dispositivos móveis sejam apontados como obstáculos a um sono adequado, eles podem também fazer parte da ajuda para se dormir bem. Alguns registram dados (como o horário em que se vai dormir, a duração do sono – se houve interrupções ou não), que servem para a pessoa ter um perfil de sua noite de sono. Outros simulam sons relaxantes, e há outras opções para ajudar quem precisa. 

 

O sono – o “gentil sono, suave ama da Natureza”, como escreveu Shakespeare em “Henrique IV” – é tão elemento fundamental para uma vida saudável quanto quaisquer das outras recomendações de estilos saudáveis feitas de forma mais frequente. A realidade atual, com trocas de mensagens de trabalho em horas que excedem o expediente, horas dispensadas diante de telas para estar presente nas redes sociais e com as crises de diversas ordens (econômica, social etc.) concorrem para comprometer nosso repouso. É preciso reavaliar quanto tempo dispensamos para as atividades às quais nos dedicamos e alocar tempo suficiente para uma noite bem dormida. 

 

Fonte: VEJA - Abril

 

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