SONO E ENVELHECIMENTO

O envelhecimento da população mundial e a maior ocorrência de distúrbios de sono com o aumento da idade fazem com que este campo tenha uma crescente importância da Medicina do Sono. 

  • ALTERÇÕES DO SONO COM O ENVELHECIMENTO

A melhor forma de avaliar o sono em idosos é a polissonografia. Existem controvérsias sobre quais alterações do sono do idoso são normais e quais são devidas à s doenças que aparecem na idade avançada. Quando se estuda uma população de idosos, que não apresenta queixas de sono nem doenças neurológicas ou psiquiátricas, observam-se alterações no sono que podem atribuir-se ao envelhecimento normal. Isto quer dizer que, muitas queixas comuns nos idosos referentes ao sono, são normais para a idade, como os exemplos a seguir: 

  • Redistribuição do sono: maior tendência a cochilos e sonecas durante o dia com diminuição do sono noturno. 
  • Ocorrência de despertares durante o sono noturno, permanecendo um certo tempo acordados na cama. Aquela "queixa" de que acorda várias vezes durante a noite. 
  • Demora para pegar no sono, leva mais tempo para dormir do que quando jovens. 
  • Os idosos tendem a despertar mais cedo, permanecendo longas horas na cama de madrugada, bem cedinho. 
  • Aumento do estágio superficial do sono, e por este motivo tem facilidade para despertar com qualquer barulho. 
  • Diminuição do sono profundo. 
  • Maior frequência de movimentos das pernas enquanto dormem (na Medicina conhecidos como "movimentos periódicos de pernas"). 

 

  • INSÔNIA NO IDOSO

A prevalência de insônia no idoso varia de 19 a 38% em estudos recentes. No idoso a insônia com mais frequência que no jovem é secundária a doenças neurológicas (Alzheimer, Parkinson, síndrome das pernas inquietas) e cardio-respiratórias sendo por essa razão mais graves e com dependência de cuidados. Distúrbios próprios do envelhecimento como a noctúria (despertar à noite para urinar) e a menopausa, também alteram o sono. No homem a noctúria está relacionada à hipertrofia prostática e na mulher à resistência uretral pós-menopausa (a terapia de reposição hormonal ocasiona melhora deste quadro). A insônia psicofisiológica ou primária também é mais frequente no idoso provavelmente devido a fatores psicológicos devidos ao isolamento social, empobrecimento material, pouca exposição à luz solar, e ansiedade decorrente do medo à morte e outras doenças. Frequentemente a insônia no idoso é tratada sem uma avaliação criteriosa de suas causas, sendo muito perigosa a automedicação. Ronco e Apneia do sono no idoso A síndrome da Apneia obstrutiva do sono é uma condição onde o indivíduo apresenta paradas respiratórias ou redução da frequência respiratória durante o sono, ocasionando dificuldade de oxigenação, vários despertares durante o a noite e sonolência durante o dia. Ocorrem cada vez mais casos de síndrome da Apneia obstrutiva do sono com o aumento idade. Cita-se que 42% dos indivíduos de ambos os sexos com idade maior que 65 anos apresentam mais de cinco paradas respiratórias por hora durante o sono, por causa do fechamento momentâneo das vias respiratórias. Existem fatores dependentes da idade que poderiam explicar o aumento do número de casos de síndrome de Apneia-hipopneia do sono no idoso. Entre estes fatores o mais conhecido e é uma maior tendência do colapso das vias aéreas superiores, por um enfraquecimento da musculatura da faringe. Isto explica o próprio ronco, e a partir de certo grau, a Apneia. A diminuição da função da tireoide, o aumento de peso e a diminuição do controle da respiração também favorecem este problema no idoso. 

  • MOVIMENTOS PERIÓDICOS DE PERNAS E ÍNDROME DAS PERNAS INQUIETAS

A frequência de movimentos periódicos de membros aumenta progressivamente com a idade. O número de casos de síndrome das pernas inquietas também aumenta. Ambas as condições estão relacionadas a várias alterações no cérebro e nos nervos que ocorrem durante o envelhecimento inclusive a diminuição dos níveis de uma substância chamada dopamina. 

  • DOENÇA DE ALZHEIMER

Demência é uma condição na qual um indivíduo previamente normal vai perdendo a capacidade de memorização e raciocínio. A doença de Alzheimer é a causa mais frequente e universal de demência acometendo cerca de 20% da população com mais 70 anos. Acredita-se que alguns distúrbios do sono sejam específicos da doença de Alzheimer. Algumas das disfunções podem ser atribuídas à crescente desorganização no ciclo de temperatura corpórea e no ciclo vigília-sono, possivelmente associada à atrofia da parte do cérebro que os controla. Foi observado que a ausência de ritmo na secreção de um hormônio chamado melatonina. A correção de fatores como falta de exposição à luz matinal, pouca atividade física, sono diurno, alterações na temperatura corpórea e pouca interação social pode ajudar a melhorar estas alterações de ritmo no idoso, favorecendo uma melhora na qualidade do sono. A polissonografia pode diferenciar claramente o paciente com Alzheimer de outras condições de prejuízo da memória, sendo considerado hoje um exame de grande auxílio na avaliação do idoso.

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