Em busca do sono perdido: cresce aumento no consumo de remédios para dormir

Todo mundo já perdeu uma porção do sono. Alguns mais, outros menos. Ah, sono, por que nos abandona? Sabemos que dormir bem é essencial à boa saúde, interferindo no humor, na disposição e resiliência - fundamentais para sobreviver em tempos de pandemia.

 

Quem já leu a obra “Por que nós dormimos?”, do neurocientista inglês Matthew Walker, sabe que se privar do sono é um dos maiores erros cometidos. Antes da covid-19, o autor já havia mencionado que a “epidemia silenciosa da perda do sono” é o maior desafio de saúde pública deste século. Com o novo coronavírus, o pesadelo se agravou. Em meio a tantas incertezas, dormir bem pode ser quase impossível. Só que é essencial para uma qualidade de vida saudável. 

 

Essa dura realidade trouxe uma nova problemática: o abuso de medicamentos para dormir. As vendas do zolpidem, o mais famoso desses remédios, apresentaram um aumento de 560% entre 2011 e 2018 no país, segundo dados da Anvisa. Os perigos começaram a surgir, como o relato de uma dupla de pesquisadores da Universidade de Louisiana, nos Estados Unidos, que descreveu o caso de uma norte-americana que passou a tomar 10 miligramas de zolpidem aos 44 anos para tratar insônia ocasional. Os efeitos colaterais iam desde assaltar a geladeira no meio da noite até pegar o carro e dirigir dormindo. No dia seguinte, não se lembrava de nada. O marido dela, que conversou com os médicos, afirmou que ela parecia hipnotizada. 

 

Isso se explica por causa da ação sedativa desencadeada pelo medicamento. É como se “apagassem” o cérebro, por isso são classificados como hipnóticos. Em 2008, o remédio ganhou fama na Austrália, quando uma filósofa de 27 anos morreu após um episódio de sonambulismo. A jovem, que estava se preparando para defender a tese de doutorado, usava a substância há 8 meses com o objetivo de tratar insônia. Na noite de sua morte, ela foi a pé e descalça até uma ponte, em estado de sonambulismo. Ao tentar escalar a estrutura, caiu na rodovia. Momentos antes de dormir, a necropsia revelou que ela havia consumido uma pílula para dormir. 

 

Na visão dos profissionais de saúde, os acidentes são justamente a maior preocupação devido ao uso dessas substâncias sedativas, com efeitos de sonolência e prejuízo da atenção. Para substituir os remédios, diversos pacientes começaram a recorrer à melatonina, hormônio do sono que é sintetizado e vendido em cápsulas. Distribuída em farmácias de manipulação, foi autorizada há 3 anos pela Anvisa. Apesar de ser vista como um tratamento mais natural, alertamos que isso é um engano: o uso inadvertido pode causar graves problemas de saúde, como alterações metabólicas. 

 

A dica é deixar essas alternativas de lado e apostar na higiene do sono. O que é isso? Consiste em mudar os hábitos para dormir melhor, incluindo jantar cedo, manter uma rotina regular, exercitar-se, evitar bebidas alcoólicas e comer bem. Superar o mau sono em meio à maior crise sanitária do século exige reestruturação dos hábitos, valorizando sempre o autocuidado. A terapia cognitivo-comportamental também pode ser uma importante aliada na luta contra o abuso de medicamentos. 

Tudo Sobre o Sono

Agende seu exame na pneumosono.

A melhor infraestrutura para você!