Horário de verão encerra no sábado, impactando a rotina e o organismo

Neste sábado, termina o horário de verão: os ponteiros devem voltar uma hora quando for meia-noite. A mudança pode afetar o funcionamento do organismo, com consequências na saúde e no bem-estar das pessoas. Para John Araújo, médico e professor titular de Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o sono tem um caráter reparador para o cérebro e, por isso, é importante minimizar o impacto de atrasar o relógio e o ritmo do corpo. 

Você não precisa se assustar: se adaptar ao fim do horário de verão é mais fácil do que se habituar ao seu início. A neurologista Andrea Barcelar, presidente da Associação Brasileira do Sono, explica que é o mesmo processo de quando se viaja: “É mais simples se acostumar com um novo fuso horário e dormir mais tarde quando vamos a oeste, rumo aos Estados Unidos, do que dormir mais cedo quando vamos para leste”. 

O melhor modo de amenizar as consequências do fim desse horário é adaptar, aos poucos, o corpo a essas mudanças, antecipando o momento de ir dormir a cada dia. A média de ajuste de nosso corpo é de aproximadamente 2 dias para uma mudança de 15 minutos e, então, 1 hora exige uma semana. Tente desacelerar e não programar muitas atividades à noite e, se possível, deixe a casa mais escura, para que a claridade não tire o sono. Desligue a televisão, o celular e demais aparelhos eletrônicos, pois contribuem no atraso da produção de melatonina - hormônio do sono. Procure fazer, também, refeições leves algumas horas antes de dormir. 

Seguir os passos citados acima é uma maneira de realizar um “ajuste manual” no relógio biológico, que antecipa os momentos do dia e prepara o organismo para eles, alterando níveis hormonais, metabolismo, temperatura corporal e funções vitais. Assim, interfere na capacidade de estar alerta durante as fases do dia. “É como um maestro que rege a orquestra de órgãos do nosso corpo, estabelecendo uma lógica temporal de funcionamento e a sequência de eventos mais eficiente”, resume Araújo. 

Na metade do século 20, cientistas começaram a pesquisar sobre o funcionamento desse mecanismo complexo. A área da Cronobiologia ficou responsável por estudar os ciclos temporais dos organismos e, ano passado, três cientistas ganharam o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em um estudo sobre esse tema. Jeffrey C. Hall, Michael Rosbach e Michael W. Young comunicaram, em 1971, a descoberta de um gene que regula o relógio biológico na mosca-da-fruta. Demonstraram como ele comanda a fabricação de uma proteína que se acumula nas células à noite e se degrada durante o dia, regulando o ritmo circadiano de organismos multicelulares como o do ser humano. 

Duas décadas após essa descoberta, os cientistas identificaram outro gene que causa a produção de uma segunda proteína, responsável por regular o ciclo de acúmulo e degradação da proteína analisada anos antes. Isso fomentou a pesquisa científica por outros genes que atuam nesse mecanismo, influenciados por fatores internos e externos, como a alimentação e a prática de exercícios. Um descompasso nesse mecanismo ocasionado por eventos como o fim do horário de verão se reflete no organismo, de forma que é fundamental a conscientização dos indivíduos sobre esses efeitos. 

 

 

 

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